Dissertação - Suzana Oliveira Santos

  • Preocupação com as mudanças climáticas, prevalência e fatores associados: um estudo transversal com adolescentes do município de Rio Grande 

     

     

    Resumo

     

    Objetivo: Avaliar a prevalência da preocupação com as mudanças climáticas e os fatores associados entre adolescentes de escolas públicas estaduais do município de Rio Grande, RS, em 2024. População alvo: Estudantes de 12 a 18 anos, matriculados entre o 7º ano do ensino fundamental e o 1º ano do ensino médio em escolas públicas estaduais. Delineamento: Estudo transversal, analítico e de base escolar, com abordagem quantitativa. Desfecho: Preocupação com as mudanças climáticas, mensurada por questão adaptada da literatura internacional (resposta dicotômica: sim/não). Processo amostral: Foram selecionadas intencionalmente as 10 escolas públicas estaduais do município que ofertavam ensino fundamental e médio no ano de 2024, contemplando diferentes bairros. A amostra final incluiu 819 adolescentes que aceitaram participar do estudo e preencheram os instrumentos de coleta em sala de aula. Análise: As variáveis independentes englobaram características demográficas, socioeconômicas, escolares e de saúde mental (ansiedade, depressão, estresse, regulação emocional, autoconceito e ideação suicida). Foi empregada regressão de Poisson com variância robusta em modelo hierárquico para estimar razões de prevalência e intervalos de confiança de 95%. Resultados: A prevalência de preocupação com as mudanças climáticas foi de 47,9% (IC95%: 44,4-51,3). Essa preocupação esteve associada ao ano/série escolar (RP=1,13; IC95%: 1,06- 1,21), ao autoconceito (RP=1,08; IC95%: 1,02-1,14) e à presença de sintomas de ansiedade (RP=1,09; IC95%: 1,03-1,15). Os principais motivos relatados foram a experiência de eventos extremos recentes, como ciclones e enchentes (30,7%), a percepção gradual da gravidade do problema (19,3%) e discussões em espaços sociais e escolares (16,6%). Um terço dos adolescentes apresentou sintomas moderados a graves de ansiedade, enquanto 16,5% relataram sintomas graves ou extremamente graves de depressão. Conclusão: A preocupação com as mudanças climáticas mostrou-se elevada entre adolescentes de escolas públicas de Rio Grande e esteve relacionada a dimensões escolares, ao autoconceito e à saúde mental. Os achados reforçam que a crise climática deve ser reconhecida não apenas como um desafio ambiental, mas também como uma questão de saúde pública, exigindo políticas intersetoriais que articulem educação, saúde e meio ambiente, de modo a apoiar e engajar a juventude diante de um cenário de crescente vulnerabilidade socioambiental.

     

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