Engajamento no trabalho e saúde mental: avaliação de profissionais que atendem adolescentes vulneráveis
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Autora: Daiana Piazer Piazer (Currículo Lattes)
Resumo
Objetivo: Avaliar os níveis de engajamento no trabalho e sua associação com os índices de saúde mental de profissionais que atuam no cuidado de adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Métodos: Estudo transversal, parte de um projeto multicêntrico, com dados coletados entre setembro e novembro de 2023. A amostra incluiu 976 trabalhadores que atuam com adolescentes em vulnerabilidade, das áreas de Educação, Assistência Social e Saúde, participantes de uma capacitação online. Utilizou-se o Inventário de Saúde Mental de 5 Itens (MHI-5) para avaliação dos sintomas de ansiedade e depressão e a Escala de Engajamento no Trabalho (UWES) para mensuração do envolvimento laboral. As análises estatísticas foram realizadas com o software Stata 14.0, utilizando análise bivariada e regressão de Poisson com variância robusta. Resultados: A prevalência de sintomas severos de ansiedade e depressão foi de 23,3%. Trabalhadores engajados ou moderadamente engajados apresentaram menor probabilidade de terem pior saúde mental em comparação aos não engajados (RP= 0,7; IC 95% 0,52 - 0,96) p<0,001). Fatores como idade (40-49 anos) (50-59 anos) também foram associados a menor prevalência de sofrimento psíquico. Outras variáveis sociodemográficas e laborais não apresentaram associações estatisticamente significativas. Conclusão: Altos níveis de engajamento no trabalho, em contextos de alta demanda emocional pode estar associada a fator de proteção para desfechos em saúde mental. Os achados reforçam a necessidade de estratégias institucionais e políticas públicas voltadas à promoção de ambientes laborais saudáveis, especialmente em setores que atuam com populações vulnerabilizadas.